Muitas vezes, a maior distância entre uma pessoa e Deus não é o pecado público ou escandaloso, mas a amargura silenciosa que reside dentro do coração. No Evangelho de Lucas, capítulo 15, vemos um cenário que se repete em nossos dias: de um lado, os publicanos e pecadores — pessoas odiadas e rejeitadas pela sociedade — que se aproximavam de Jesus com o desejo sincero de ouvir Sua voz; do outro, os fariseus e escribas — religiosos que conheciam a lei, mas cujos corações estavam cheios de julgamento e murmuração.
Jesus, conhecendo a natureza humana, ensina que ninguém está além do alcance de Sua misericórdia, desde que haja um ouvido atento para ouvir a Sua palavra. O Espírito Santo é quem conduz os interessados à verdade, independentemente do passado que carregam.
"E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir." — Lucas 15:1
A Ovelha Perdida e a Ovelha do Aprisco
A parábola da ovelha perdida revela o caráter persistente do Criador. Jesus afirma que um bom pastor não se conforma em ter 99 ovelhas seguras enquanto uma está desgarrada. Ele deixa as demais no deserto e vai em busca daquela que se perdeu até que a encontre.
No entanto, há uma categoria de ovelha perdida que é mais difícil de identificar: aquela que está dentro do rebanho, mas cujo espírito se desviou. São as pessoas que mantêm a religiosidade, frequentam as reuniões e são fiéis em obrigações externas, mas que perderam o "primeiro amor". Elas se tornaram como as "dracmas perdidas" dentro da própria casa — espiritualmente desligadas de Deus por causa de ressentimentos, mágoas e o desejo de vingança.
"Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la?" — Lucas 15:4
O Perigo de Participar da Ceia Indignamente
A reconciliação com Deus exige um autoexame profundo. Participar da cerimônia mais sagrada da fé cristã — a Santa Ceia — não é um ato mecânico de comer um pedaço de pão e beber um cálice. É um momento de comunhão que pode trazer bênção ou condenação, dependendo da condição do coração.
Aquele que participa da ceia carregando ódio, rancor contra um irmão ou o desejo de ver a punição de quem o injustiçou, está agindo indignamente. O pecado não se resume apenas a grandes falhas morais; o ressentimento é um "pecado sujo" que paralisa a fé e apaga o espírito.
"Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor." — 1 Coríntios 11:28-29
O Domingo do Resgate: Voltando ao Primeiro Amor
A oportunidade de reconciliação é um convite para zerar o passado e limpar a consciência. Não importa o grau do erro cometido ou quanto tempo você se sente "frio" na fé; o objetivo de Deus é resgatá-lo para que você volte a ter o fogo do princípio.
Preparar-se para a reconciliação significa olhar para dentro de si e abrir mão de todo peso espiritual. É decidir ouvir a voz de Deus acima das vozes da acusação ou do orgulho. O convite é para todos: o publicano arrependido, o pecador cansado e o religioso que percebeu estar perdido dentro da própria igreja.
Que este seja o momento de ser achado pelo Pastor e voltar para o lugar de segurança e paz, onde a comunhão com o Pai é restaurada em sua plenitude.
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