Um dos desafios mais silenciosos e dolorosos dentro de um matrimônio cristão ocorre quando a religiosidade é usada como ferramenta de manipulação. Quando um dos cônjuges cobra do outro uma "espiritualidade" impecável, exigindo mudanças rápidas e constantes, é preciso acender um sinal de alerta. A verdadeira fé não se impõe, ela se vive e se inspira.
Muitas vezes, aquele que mais aponta o dedo e exige crescimento espiritual do parceiro é quem mais demonstra falta de maturidade cristã. Afinal, a espiritualidade, por sua própria essência, é um ato voluntário entre o indivíduo e o Criador.
O Equívoco da Cobrança Espiritual
A espiritualidade genuína não nasce da pressão externa. Se uma pessoa ora, lê a Bíblia ou muda seu comportamento apenas porque está sendo coagida pelo cônjuge, essa ação perde o seu valor diante de Deus. A mudança que agrada ao Senhor é aquela que brota de um coração sincero e transformado pelo Espírito Santo.
"Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas somos cooperadores do vosso gozo; porque pela fé estais em pé." — 2 Coríntios 1:24
Quando um marido ou esposa utiliza a Bíblia para punir emocionalmente o outro, ameaçando inclusive com o divórcio por falta de "crescimento", ele está desonrando a própria instituição que diz defender. Onde há ameaças constantes de separação, não há o amor sacrificial que Cristo exemplificou.
O Perigo do "Espírito de Fariseu"
O farisaísmo moderno no casamento se manifesta quando alguém se considera superior espiritualmente e passa a julgar cada passo do parceiro, sem olhar para as próprias falhas. É o famoso "olhar o argueiro no olho do irmão e não ver a trave no próprio olho".
Um cônjuge verdadeiramente espiritual não usa a fé como arma de controle, mas como um caminho de auxílio. Se há algo que precisa ser melhorado na vida do parceiro, o caminho correto é a intercessão, o diálogo amoroso e o suporte mútuo, e não a humilhação ou o autoritarismo religioso.
Qual Deve Ser a Sua Régua de Mudança?
Se você se sente pressionado a mudar para satisfazer as exigências religiosas de outra pessoa, lembre-se de que a sua medida de crescimento deve ser a Palavra de Deus e a voz do Espírito Santo, e não as expectativas humanas.
"Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno." — Salmo 139:23-24
A jornada cristã é contínua e individual. Todos nós temos pontos a melhorar, mas esse processo deve ser guiado pelo temor a Deus e pelo desejo de honrá-Lo, e não pelo medo de perder o casamento ou pela pressão de um "marido espiritual" ou "esposa espiritual" que não pratica a misericórdia.
Busque a Deus com sinceridade, filtre as críticas que vêm acompanhadas de manipulação e foque no que o Senhor espera de você. O verdadeiro crescimento espiritual produz paz e amor, nunca medo e opressão.
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