Você já reparou que, em períodos de festas, feriados prolongados ou final de ano, os números de acidentes, traições, mortes e episódios de violência disparam? É contraditório: épocas que deveriam ser dedicadas ao descanso, à família e à alegria tornam-se, para muitos, cenários de tragédias e arrependimentos. Mas qual é a raiz real desse fenômeno que se repete ano após ano?
A explicação vai muito além do óbvio. O problema central reside em uma lei fundamental da natureza humana: o conflito entre a vontade própria (a carne) e a inteligência espiritual.
O Perigo de Fazer Tudo o que se Quer
Vivemos em uma sociedade que prega o "siga seu coração" e o "faça o que tiver vontade". No entanto, a realidade prática nos mostra que, quanto mais uma pessoa dá vazão aos seus desejos impulsivos, mais ela colhe resultados que não deseja.
Naturalmente, nosso corpo e nossa alma não sentem vontade de fazer o que é disciplinado ou construtivo. Não sentimos vontade de acordar cedo no meio de um sono profundo, de praticar exercícios físicos quando estamos cansados ou de resistir a uma tentação imediata. O corpo quer conforto, comida, bebida e prazer instantâneo. O problema é que o prazer da "carne" quase sempre vem acompanhado de uma conta alta a ser paga no futuro.
A Guerra Interior: Carne vs. Espírito
A Bíblia descreve esse conflito interno com precisão cirúrgica. Existe uma batalha constante dentro de cada um de nós, e o lado que alimentamos é o que sairá vencedor.
"Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis." — Gálatas 5:17
Em épocas de festas, as pessoas tendem a "baixar a guarda" e permitir que a carne governe suas ações. É por isso que vemos o aumento das chamadas "obras da carne", que incluem inimizades, ciúmes, bebedices, glutonarias, adultérios e contendas. Ao buscar o extravasamento total dos desejos, o ser humano acaba encontrando a destruição.
A Ilusão dos Rituais e Superstições
Muitas pessoas tentam compensar o domínio da carne com rituais de sorte — pular sete ondas, vestir cores específicas ou fazer oferendas. No entanto, essas práticas não passam de distrações que não resolvem o problema do caráter e das escolhas. A verdadeira mudança não vem de uma cor de roupa ou de um ritual, mas da submissão da vontade humana à vontade divina.
O texto bíblico continua com um alerta sério sobre quem vive entregue a esses impulsos descontrolados:
"As obras da carne são manifestas... acerca das quais de antemão vos declaro, como também já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus." — Gálatas 5:19-21
Seguir a carne traz corrupção e destruição, não apenas no sentido espiritual, mas também na vida prática, arruinando casamentos, carreiras e a saúde física.
O Caminho da Vitória: Questionar as Próprias Vontades
O segredo para uma vida equilibrada e livre de tragédias evitáveis é aprender a não confiar cegamente em si mesmo. Quando você sentir um impulso forte para agir, falar ou se envolver em algo, questione-se: "Isso vai me fazer bem a longo prazo? Isso agrada a Deus?"
Seguir o exemplo de Jesus no momento de maior angústia é a chave para o sucesso:
"Pai, se queres, passa de mim este cálice; porém, não se faça a minha vontade, mas a tua." — Lucas 22:42
Submeter a sua vontade à de Deus é a única garantia de que você não se dará mal. A vontade de Deus é sempre boa, perfeita e agradável. Já a nossa própria vontade é, muitas vezes, enganosa e perigosa.
Se você deseja que seu novo ano, seu próximo feriado ou simplesmente o seu dia de amanhã seja diferente, comece restringindo os impulsos da sua carne e buscando a direção do Espírito Santo. Onde há disciplina e obediência à Palavra de Deus, as "desgraças" não encontram solo para florescer.
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